terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

carregando nos braços nos ombros os barco da aurora


 

voltaremos um dia meu amor

carregando as  nuvens na aurora


corremos  na relva na areia

no orvalho


seremos

             a estrada a poeira o girassol

a seara  o horizonte a linguagem surda

dos peixes


crianças deslumbradas despenteando

os cabelos do sol  a beira rio 


viajando no silêncio abrindo as águas

e em rios


e em nòs confundindo face e imagem

flor e fruto


crianças nuas meu amor

carregando nos braços nos ombros

os barcos da aurora 

nasci


                                                                                                                                             a  Ana Pereira


nasci num país pequeno onde o aspecto

è mais importante que a alma


onde o que tu ès  depende do que possuís

e não do coração que bate dentro de ti


recebo de braços abertos o toque

dos que aconchegam o seu coração

ao meu

sinto  a pureza de uma alma

sem precisar de ver a sua cor

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

em teu rosto


 

se è somente em teu rosto que verei

nascer um dia  a madrugada

por que será que nunca  te direi

palavras que guardo para   ti


contigo sou capaz de falar do tempo

das aves  de qualquer coisa inútil 

de tubo  menos  de amor  


corre estrela gloriosamente


 sò de te ver desfaleço  te possuirei para além

dos seios  e da carne tão macia dos teus

braços


para além das pálpebras onde dormem a noite

e a luz todo o prestígio da fascinação

para além do sexo  e dos mistérios que nele

me escondes


em ti começou o tempo não há como conta - lo

senão nos teus braços

em ti acabará um dia mas então tudo terá findado

na espessura da noite próximas

corre ò estrela gloriosa brilha antes que para sempre

nos espaços te afundes

confins da oceânica noite


 


que navio irrompe do teu seu sexo

vindo dos confins da oceânica  noite

com marinheiros de todas as raças

trepados nos mastros


que súbita aurora deflagra


a nossa volta que gritos de revolta

dor e triunfo se desfraldam  no ar

surpreendidos 


eia ... è o teu filho que chega


são as mais poderosas forças 

do universo

abrindo entre sangue e dor


a sua torrente indomável

è a primavera que canta nos nossos 

troncos  

meus olhos


                                                                                                                                              a  Ana Pereira


os meus olhos de  ontem não são

os mesmos olhos de hoje

um mundo  morre e outro mundo

nasce


clara brava  companheira

que jamais temeste  precipícios

ou sombras


là no fundo dos teus mares que

pequeníssimas mãos se agitam ?

em cada dia


                                                                                                                                        a  Ana Pereira


em cada dia morre um homem em mim

em cada dia nasce um homem em mim

sò o itinerário è o mesmo e isso decerto

basta


e eu tenho saudades dos homens que fui

e anseio e espero os homens que serei


dia após dia eu me renasço 

sigo  em frente