quarta-feira, 2 de novembro de 2016

ONDE O LUGAR , SACRO - PROFANO PORTUGAL

Neste País sem olhos e sem boca
hábito dos rios castanheiros acostumados
país palavra húmida e  translúcida palavra
tensa e densa com certa espessura  ( Pátria
da palavra  apenas tem a superfície ) os
comboios são mansos dorso alvos engolem
povoados limpam tiram gente daqui o põem
- na ali retalham os campos congregam - se
dividem - se nas varias direcções e os homens
dão - lhes boa digestão : cordeiros de metal ou

talvez grilos que a mãe aperta ao peito
os filhos ao ouvi - los ?

Neste país de espaço raso de silêncio
e de solidão , solidão da vidraça , solidão
da chuva , país natal  dos barcos e do mar
do preto como cor profissional dos templos
onde a devoção multiplica - se em luzes do
 natal que há no mar da Póvoa de Varzim
país do sino objecto inútil

Única razão  vou poluindo o poema sensação
de segurança com a saúde de um grito ao sol
combalido tirito imito a dor de se poder estar
sò e haver  casas cuidados mastigados coisas
sérias o bafo sobre o aço como o vento na água
País Poema  homem matéria para mais
 esquecimento do fundo deste dia solitário
e triste após as sucessivas quebras de calor
antes da morte pequenina celular e muito pessoal
natural descer da camioneta ao fim da rua neste país
 sem olhos e sem boca

 


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